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Diálogos Insurgentes relembra a Ditadura no Brasil e as resistências ao regime

Em 2/04/2019

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Com arte, coragem e informação, nos moldes de parte da resistência à Ditadura Militar brasileira, a 10ª Edição do “Diálogos Insurgentes”, recordou, neste 01 de abril, os 55 anos de Golpe Militar no país, trazendo relatos e dados históricos do regime que vigorou por 21 anos, suprimindo liberdades civis, censurando a comunicação, assassinando, perseguindo, exilando e encarcerando os “inimigos do regime” que, em geral, eram militantes, trabalhadores rurais, artistas, intelectuais e opositores políticos. Promovido pela Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Participação Popular (SEDIHPOP), o evento foi iniciado com apresentação artística de Luiz Guerreiro, que cantou músicas históricas de resistência e que parecem ter embalado as lembranças dos presentes.

“Afasta de mim esse: Cálice!”, o Secretário de Estado de Direitos Humanos e Participação Popular, Francisco Gonçalves da Conceição, destacou que como muitos dos presentes na plateia, ele havia participado da resistência legal e clandestina à Ditadura. Ressaltou, que independente da pluralidade de correntes ideológicas, todos lutaram contra a ditadura, porque muitos tombaram para que pudéssemos ter o maior período de democracia do país e em respeito a eles, temos o dever de lembrar a história e não permitir que ela seja apagada. Por isso, afirmou a importância da homenagem concedida pelo Governador Flávio Dino, a Manuel da Conceição, que simbolicamente, exalta a luta dos camponeses no período ditatorial.

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Com “a certeza na frente, a história na mão”, o professor de história, Adroaldo Almeida, iniciou a conversa localizando o golpe como resultado de insatisfações das elites com o Governo de João Goulart, que como governos populistas anteriores, havia concedido direitos a classe trabalhadora. Tendo como dados documentos do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), o professor investigou a relação entre algumas igrejas evangélicas e o regime militar, identificando posturas que, as vezes, se aproximavam, com a participação de bispos como informantes do departamento, que entregava muitos fiéis às práticas de tortura, mesmo com provas escassas de envolvimento político contrário ao regime; outras disponibilizando seus meios de comunicação para atacar a educação, os estudantes, defender a moralidade e negar a existência de um regime autoritário no país; ora as igrejas eram vistas como espaços de resistência e organização política.

“Bem que eu me lembro/ Da gente sentado ali/ Na grama do aterro, sob o sol/ Ob-observando hipócritas/ Disfarçados, rondando ao redor”, as lembranças de Gilberto Gil estão marcadas na memória da advogada, Helena Heluy, que recordou a chegada da notícia do golpe no dia 01 de abril de 1964, quando muitos ainda tiveram a inocência de crer que seria alguma enorme mentira, como brincadeira do dia. Helena, que estava no 5º período de Direito e grávida de sua primeira filha, confessa que estava entre os impactados sem saber o que aconteceria, aqueles que se reuniam em sindicatos no centro da cidade e partilhavam o grito e o sentimento de “estamos com Jango”.

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Após a queda do presidente, Helena lembra dos mecanismos de gestão dos governos militares através de Atos Institucionais, que instituíam medidas autoritárias, dando plenos poderes ao poder executivo, que perseguiu políticos, partidos, professores, militantes, estudantes, líderes religiosos, dentre outras, medidas que concentravam o poder na presidência, construindo um governo de poucos, aumentando as desigualdades e tratando com desumanidade os tidos como “inimigos”. Atrocidades inúmeras, realizadas em nome da manutenção da segurança, pelo combate a corrupção e em defesa da moral.

Helena recordou as organizações e estratégias de luta dos estudantes, dos partidos políticos e das entidades católicas e lembrou de muitos nomes de destaque que foram perseguidos e torturados por suas lutas por justiça e democracia, como: Frei Beto, Frei tito (aquela história que Chico contou no shopping) padre Henrique, Frei Fernando, professora Lurdinha Siqueira, Maria Aragão.  Uma das figuras lembradas pela advogada foi Rui Frazão, um estudante secundarista, de quem ela ainda guarda a imagem da farda do Liceu Maranhense. Rui se tornou número e permanece entre desaparecidos da ditadura.

“E quem nos ajudará/ A não ser a própria gente/ Pois hoje não se consente esperar/ Somente a rosa e o punhal/Somente o punhal e a rosa/ Poderão fazer a luz do sol brilhar.”. A poesia de César Teixeira se materializou nas lembranças de Eurico Fernandes, que recordou a centralidade da luta dos trabalhadores no contexto da ditadura. Fernandes destacou que o golpe foi dado em um contexto, em que os trabalhadores começaram a conquistar direitos e o Governo de João Goulart, anunciava reformas que mexeriam com a estrutura de poder nacional e traria grandes transformações significativas ao meio social, com a possibilidade de efetivar medidas de reforma agrária, democratizando a principal fonte de riqueza do país: a terra. E pelo acesso a ela, muitos morreram, foram presos, torturados e perseguidos.  

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